mércores, 21 de abril de 2021

Pensões, Pobreza e Renda Básica.

 


1) O neoliberalismo cria pobreza.

Nos anos 80 o trio Reagan, Thatcher e João Paulo II, acarão de Pinochet, abandeiram uma mudança de rumo, o pacto social existente já não lhes vale. O neoliberalismo (1) começa uma nova era em que houve (e há) um ataque sem precedentes a tudo o que significava bem comum nas décadas anteriores. Resumidamente, privatização de empresas públicas, ataques à sanidade e educação para todas e todos, rebaixas de impostos para o capital e para as grandes fortunas, ataques ao trabalho digno (salários decentes, seguridade social pública, regulamentação laboral). O desmantelamento, em suma, do "estado de bem-estar".

Neste artigo, quero destacar uma das consequências desta fase do capitalismo: o aumento insultuoso do paro e da precariedade, com suas consequências para o aumento das desigualdades. E com eles o reaparecimento de situações de pobreza em nosso meio ocidental desconhecidas ou que pareciam em vias de solução décadas atrás.

A situação torna-se cada vez mais insustentável e as soluções que achega o neoliberalismo vão na linha da “salvação dos pobres”. A ideia por trás dessa opção (nada nova por outro lado, lembre-se das workhouse e das leis de pobres (2) tão importantes para o nascimento do capitalismo na Inglaterra) é conseguir que os pobres se "integrem à sociedade" mediante o acesso a um “posto de trabalho” que os dignifique (3). É por isso que essas ajudas estão sempre "condicionadas" a conseguir um emprego. Um emprego que, na prática, é cada vez mais difícil de conseguir devido ao paro tecnológico, à globalização ou ao diminuição na demanda.

É por isso que estas Rendas Condicionadas estão fallando (4), pois pretendem preparar-nos para desempenhar, ou exige-nos que buscamos, empregos que já desaparecêrom ou estão em vias de desaparição (5). Na realidade, caem repetida e recalcitrantemente em vários fracassos (6), como a Trampa da Pobreza, a Estigmatização dos “beneficiários”, o Aumento dos Custos de Gestão da Pobreza ou a Dificuldade para as e os trabalhadores sociais se concentrarem em seu verdadeiro trabalho em vez de exercer como inspetores.

O modelo de Rendas Condicionadas (como o IMV) para combater à pobreza, esta esgotado e a Renda Básica Universal, Incondicional, Individual e Suficiente (RBUI) é uma alternativa necessária.


2) RBUI, um cruze de caminhos.

Ainda que eu me centre na desigualdade, onde a solução de uma RBUI com financiamento redistributivo parece óbvia, os outros problemas já apontados também não podem ser deixados de lado. Os sociais (recortes no estado de bem-estar, reformas laborais, privatização das pensões). Os ecológicos, ficando já claro que os limites do crescimento estão-se manifestando de muitas formas (mudanças climáticas, contaminação, extinções, esgotamento de matérias-primas ...) Feminismo, com o esgotamento do patriarcado. Racismo, cada vez mais evidente face ao incremento da imigração ilegalizada. O cambio tecnológico, liberalizador dos empregos mais penosos e, paradoxalmente, criador de paro e precariedade.

Uns problemas para os quais o neoliberalismo já mostrou que não é quem de atopar soluções.

O modelo neoliberal também se esgotou e temos que mudar de rumo.

E a RBUI surge como um elemento central nesta necessária mudança de rumo, pois, em breve, contra a mudança tecnológica e a precariedade permitiria uma transição maior e mais suave entre os empregos que desaparecem e os novos que (em maior ou menor grau) aparecerão. Contra a transição ecológica impediria a chantagem de emprego. Contra o racismo das "pessoas ilegais" seria mais fácil enfrentar o problema demográfico, regularizando uma imigração necessária. Contra a ideologia falsa e interessada do "trunfo dos mais capacitados" facilitaria a transição para uma economia dos cuidados...

Dentro dos problemas detetados (ecologismo, desigualdade, pobreza, feminismo, tecnologia ...) a RBUI mostra-se como um elemento central na sua solução, um cruze de caminhos para o qual todos convergem.

E, ao mesmo tempo, é um ponto de encontro entre as várias posições ideológicas alternativas ao neoliberalismo (keinesianismo, marxismo, anarquismo, comunitarismo ...). Uma medida que pode ser defendida de qualquer uma dessas ideologias, como aconteceu, e acontece, por outro lado, com todos os direitos humanos (à vida, à liberdade, à saúde, à educação ...). Afinal, a Renda Básica já foi definida no Congresso de Monterrey (art. 1.3) (7) como "o direito a uma vida material digna"


3) A RBUI e as pensões

O RBUI vai afetar a diversos setores sociais e económicos. Por esse motivo, vem sendo estudada e ganhando o apoio de cada vez mais destes setores (8) desde a sua perspetiva particular. Obviamente, a RBUI afeta-nos a todas as pessoas, inclusive os pensionistas, de forma semelhante pelo simples fato de sermos membros da sociedade. Menos desigualdade, fim da pobreza, incremento da liberdade para eleger a nossa vida. Sociedades mais justas e seguras com melhor saúde, especialmente saúde mental... Benefícios para a sociedade como um todo. Também para nós. Também (e é importante) para os nossos.

Mas, obviamente, devemos considerar algumas peculiaridades da nossa situação. No debate, quero apresentar as seguintes:

1.- Pensões não contributivas: São ajudas públicas que pretendem reduzir a pobreza em casos de “invalidez” ou jubilação. A sua quantia é sempre à quantia de uma RBUI, pelo que seriam substituídos por esta. Creio que não há muito debate, a RBUI significaria uma melhora desses benefícios ao atingir uma quantia suficiente (atualmente não o é).

2.- Pensões contributivas: Baseiam-se no sistema de reparto, sendo pagas principalmente com contribuições sociais deduzidas mensalmente das nóminas das pessoas trabalhadoras ativas (uma parte por conta do empresário e outra por conta do trabalhador). Entendo (e há controvérsia (9), com estudos relevantes que não o consideram asi (10)) que não podem ser considerados “prestações públicas” do mesmo tipo que os Subsídios, as Rendas Condicionadas, etc., assemelhando-se, ao meu ver, mais a um Seguro Social (daí, por certo, o nome de Seguridade Social) ou, como a Fazenda os equipara, a um salário.

Defendo, portanto, que as pensões contributivas devem ser adicionadas à RBUI. Tudo isso, obviamente, a partir de uma consideração do financiamento da RBUI de caráter redistributivo, onde quem tem mais deve achegar mais.

3.- Cumpre analisar também a polémica tentativa do neoliberalismo de mudar o sistema de reparto pelo de "capitalização" (11) fazendo das pensões um fruto do "aforro" pessoal de cada trabalhadora administrado por "fundos de pensão" individuais ou ( na teimosa pretensão do Ministro Escrivá) das empresas. Não há espaço para analisá-los aqui, apenas para constatar que a pretensão real deste sistema é aumentar a "financeirização" da economia e que, a partir da experiência acumulada, só beneficia seus gestores que cobram altas comissões, nunca aos futuros pensionistas. Neste artigo devemos apenas citar que o valor que fique no final seria adicionado à renda básica, do mesmo jeito que entendo que deve acontecer com a pensão contributiva no sistema de reparto (caso contrário, favoreceríamos ao sistema de capitalização, é claro).

Em resumo, acredito que desde a perspetiva dos pensionistas, a RBUI também suporá uma melhora, achegando uma maior garantia às pensões não contributivas que seriam incluídas na RBUI incrementando a sua quantia, melhorará substancialmente as pensões contributivas de menor quantia e menos, ou nada, as de maior quantia dependendo dos critério final de financiamento e também esclareceria a Caixa da Seguridade Social, retirando alguns dos "gastos impróprios".

E viveríamos em uma sociedade mais justa e segura.

ligações relacionados:

1) Juan Torres López sobre os ricos:

https://blogs.publico.es/juantorres/2020/12/18/el-problema-no-es-que-sean-ricos-sino-riquisimos-ineficientes-y-a-costa-de-los-demas/

2) As leis de pobres na Inglaterra precapitalista:

https://www.lamarea.com/2021/03/10/no-mas-leyes-de-pobres-por-favor/

3) Precariedade, tamén Ikea:

https://www.eldiario.es/economia/ikea-trae-espana-propio-glovo-peones-montan-quince-muebles-80-euros-cola-10_1_7234853.html

4) Artigo de Lluis Torrens:

https://catalunyaplural.cat/es/no-hay-pobres-el-reino-de-espana/


5) Stephen Hawking:

https://www.redrentabasica.org/rb/stephen-hawking-sobre-el-futuro-del-capitalismo-la-desigualdad-y-la-renta-basica-2/

6) Posicionamento Colegio Geenral Trabajo Social:

GARANTIA DE INGRESOS 20.04.2020.pdf (cgtrabajosocial.es)

7) Dereitos Humanos Emerxentes-Monterrey:

https://dhpedia.wikis.cc/wiki/Declaraci%C3%B3n_Universal_de_Derechos_Humanos_Emergentes

8) Relación de algúns sectores que apoiaron a RBUI entre finais de 2019 e principios de 2020:

https://blogabieitoauxiliar.blogspot.com/2021/04/manifestos-recentes-prol-da-rbui-finais.html

9) Enfoques programas contributivos (pensións, desemprego...) Nota de Karl Widerquist e Georg Arndt-2020.

https://blogabieitoauxiliar.blogspot.com/2021/04/enfoques-programas-contributivos-karl.html

10) Proposta de financiamento de ART

https://www.redrentabasica.org/rb/nuevos-modelos-para-financiar-una-renta-basica-incondicional-y-universal/

11) Informe Modepen

http://www.modepen.org/wp-content/uploads/2020/12/WEB_Plans_Pensions_Empresa_XPD.pdf

xoves, 25 de marzo de 2021

Vulgares chouriços

    ver gal.                              ver es.

Temos a vacina. Já estamos no caminho certo. Ou não?

- Rumores, achádegos, mentiras, desmentidos, desconfiança.
Estas vacinas custaram-nos dinheiro a todos nós. Primeiro na investigação básica, antes já do surgimento da pandemia (como a do RNA mensageiro), que mais tarde foi usada para vacinas específicas. Em segundo lugar, em subsídios às empresas, que agora possuem patentes, e em fortalecer os órgãos de verificação para realizar o mais rápido possível todos os procedimentos administrativos e de verificação sanitária.
Presume-se que uma vez que tenhamos as vacinas, vamos distribuí-las de acordo com critérios de saúde, e já está.
Pois não. E não se trata apenas de liberalização ou não liberalização de patentes.
Os proprietários de vacinas só se preocupam com o benefício econômico. O máximo lucro possível e, no seu caso, o dos seus acionistas E para isso tudo vale a pena. Vendas em dobro. Fabricação clandestina. Criação de carências artificiais. Tudo vale
- Rumores, achádegos, mentiras, desmentidos, desconfiança.
Como vulgares chouriços.

domingo, 14 de marzo de 2021

Direitos universais e incondicionais para sair da crise

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1.- As vacinas como um direito

Existem crises que nos urgem e nos doem, a hostalaria, o turismo, a Semana Santa. Ou o pior e menos visível, o aumento da pobreza e da pobreza extrema... Precisamos falar sobre essas crises porque todas as pessoas temos que sair delas. E os partidários da Renda Básica Universal e Incondicional não são estranhos a esse problema, as posições dos Coletivos Cidadãos pela RBUI são claras como podemos ver em seu blog (1) ou em seu facebook: Acreditamos que a RBUI, justamente por ser Universal e Incondicional, é um mecanismo particularmente adequado para cumprir o lema da ONU: "Não podemos deixar ninguém para trás".

Mas por mais que queiramos, a "economia" não pode ser totalmente salva se não salvarmos a sanidade de antemão. Nesse ínterim, é necessário aplicar uma Renda Básica de Emergência acompanhada de ajuda complementar a setores estratégicos, necessários mas que serão medidas emergenciais, remendos mais ou menos eficazes para pessoas e setores que serão mais ou menos afetados durante a pandemia . E a epidemia, causa comum das duas crises, sanitária e económica, só vai acabar com o confinamento e principalmente com as vacinas a que todos devemos ter acesso. Vacinas que têm que ser Universais e Incondicionais, como a Renda Básica. Para que também no sanitário ninguém fique para trás.

Mas se a Renda Básica pode ser implantada, em uma primeira etapa, em nível Estadual, pois para sua implantação apenas se necessita (e não é pouco) poder tributário, as vacinas só podem ser eficazes se desde o início fossem aplicadas em todo o mundo. É óbvio que o fim da pandemia COVID-19 exige vacinas para todos os países, não apenas os ricos. Se necessário podemos vê-lo neste link de “médicos sem fronteiras”, onde de passagem podemos ver algo que me chama a atenção, a lista de estados que se opõem à abolição de licenças (2)

Porque as vacinas para todos como solução para acabar completamente com a pandemia, têm um inimigo muito importante. E não me refiro ao negacionistas porque, apesar de ser um problema real, acredito que o sentidinho da maioria de nós torna desnecessária a declaração da vacinação obrigatória. O problema é com aqueles que têm poder sobre as vacinas, que dão a impressão de que não têm "sentidinho" ou pelo menos não têm o suficiente para permitir que as vacinas sejam eficazes e rápidas para cumprir aquilo para o que foram criadas, acabar com a pandemia. O poder, especialmente o poder económico, tem pouco a ver com bom senso? Vamos ver.

2.- A proteção das patentes e os ananos sobre os ombros de gigantes.

Dizem-nos que as patentes devem ser respeitadas, que são a remuneração de quem possibilitou as vacinas e que, se não forem devidamente retribuídas, simplesmente deixarão de investir e de investigar. As cientistas gigantes que trabalham para as multinacionais farmacêuticas, essas pessoas que conseguiram a vacina em tão pouco tempo, merecem todo o nosso reconhecimento e todo o nosso carinho e todo o nosso dinheiro se for preciso. Claro que si, sem retranca. O esforço para obter a vacina tem sido impressionante e quem a tornou possível merece uma recompensa.

Mas, foram essas pessoas, as cientistas das empresas, quem fizeram mais méritos? Não é uma coincidência que tantas empresas tenham obtido êxito? E tudo praticamente ao mesmo tempo? Eles são ótimos, é claro, mas, não estarão a cavalgar nos ombros de gigantes? Gigantes que, muitos e muitos senão a maioria, são mesmo pessoas precárias? Porque, por um lado, a pesquisa básica com essas vacinas, incluindo, para ser mais específico, as primeiras baseadas no RNA mensageiro, parte de anos de "Pesquisa pública básica". A técnica já foi elaborada pelo setor público (3). E, a maiores, não será que “A batalha científica contra o coronavírus na Espanha é feita por pessoal investigador precário ou jubilado”, como é explicado neste artigo? (4)

E mesmo que tivesse sido assim, mesmo que fosse o pessoal científico das empresas quem tivesse feito a grande maioria dos méritos, será esse pessoal o remunerado? Não estou dizendo que seus patrões não lhes paguem bem, provavelmente melhor do que aos e ás precárias das universidades públicas mas, quem vai ganhar muito não vai ser os dirigentes das empresas (5a) e os acionistas? (5b). E esses, que méritos eles fizeram? Sem demagogia, realmente, quais são seus méritos? Capital de risco? Alguém ousa dizer que arriscaram alguma coisa?

Nem sequer se atrevem a fazer públicos os contratos celebrados com os Estados e mesmo com a UE como um todo, ainda que possamos saber algumas cantidades, como as indicadas nesta entrevista à Presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen (6a) (Investimos neste processo 2,9 mil milhões de euros — para não falar dos milhares de milhões de euros que a Europa investe anualmente no apoio a um ecossistema de investigação que propicia esta capacidade...). Como diz nesta entrevista o eurodeputado Marc Botenga, o primeiro eurodeputado em acessar à consulta "censurada" de um dos seis acordos para a compra antecipada de vacinas anti-covid-19 pela Comissão Europeia: "Pagamos quatro vezes o valor de a vacina.(6b)

E não é apenas uma questão de se eles têm mais ou menos o direito de manter a patente, mas a manutenção dessa patente está impedindo que as vacinas sejam fabricadas na velocidade certa. Ou seja, estão causando mortes (7) e colocando em risco a todos nós, mesmo os já vacinados, pois a probabilidade de mutações mais virulentas persiste enquanto a doença persistir no mundo. Mas isso não foi feito antes, quando a petição da Índia e da África do Sul foi debatida pela primeira vez, apoiada pela maioria dos países de renda média e baixa e impedida pelos países ricos. (8)

3.- O direito humano à vida concretiza-se hoje no direito universal e incondicional à vacina.

Precisamos mais uma vez exigir o cumprimento de um direito humano, o direito à vida que, neste caso, deve concretizar-se na exigência de vacinas que nos permitam vencer a crise da saúde de forma semelhante à Renda Básica. nos permitirá derrotar a crise económica. Universalidade e Incondicionalidade, as mesmas características que têm, ou deveriam ter todos os direitos, por exemplo, o direito à Vivenda, Serviços Sociais, Sufrágio ou Saúde e Educação. Porque a batalha não está perdida e darémo-la até que a suspensão seja alcançada.

No momento em que estas notas foram escritas, a OMC havia se recusado a suspender patentes em sua reunião de 10 de março, ignorando o pedido de 5 de março do Diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que o apoiou em um artigo no The Guardian (9) Neste momento, a OMC adiou a decisão para o próximo debate sobre patentes, marcado para junho (10). Temos que avançar para aumentar a produção de vacinas. Não só para os “países pobres”, mas também para nós, como se diz.

E, como medida de pressão e também pensando no longo prazo, é importante pressionar um dos blocos económicos mais contrários à suspensão, o nosso, a UE. E neste caso, como no caso da Renda Básica, existe uma Iniciativa de Cidadania Europeia para exigir que a Comissão Europeia atue a favor desta suspensão de patentes. Uma campanha oficial, que vale a pena porque a Comissão Europeia e o parlamento têm que estuda-la de chegar a um milhão de apoiantes. Assine, é importante (11)

Ligações: 

1) https://colectivoscidadansrbu.wordpress.com/

2) https://www.msf.es/actualidad/espana/fin-la-pandemia-covid-19-implica-vacunas-todos-los-paises-no-solo-los-ricos

3) Los pioneros del ARN ya investigan vacunas contra 30 infecciones diferentes | Ciencia | EL PAÍS (elpais.com)

4) https://www.eldiario.es/sociedad/futuro-pandemia-manos-precariedad_1_7184307.html?

5a) https://www.eleconomista.es/sanidad/noticias/10880790/11/20/El-CEO-de-Pfizer-vendio-mas-del-60-de-sus-acciones-el-mismo-dia-en-que-se-revelaron-los-resultados-de-la-vacuna-contra-el-Covid19.html

5b) Pfizer prevé ingresar 12.000 millones por su vacuna contra la COVID-19 en 2021 y que la demanda pueda durar años (eldiario.es)

6a) Juntos contra o vírus | Opinião | PÚBLICO (publico.pt)

6b) “Hemos pagado cuatro veces el valor de la vacuna. Las patentes deben retirarse, es una pandemia” | ctxt.es

7) Especular con la vacuna: un crimen contra la humanidad | ctxt.es

8) https://www.eldiarioar.com/sociedad/coronavirus/vacunatorio-vip-planeta-diez-paises-concentran-90-dosis-cambiarlo_1_7278834.html

9) https://www.publico.pt/2021/03/05/mundo/noticia/director-oms-apoia-suspensao-patentes-vacinas-mundo-precisa-estar-pe-guerra-1953280

10) https://www.eleco.com.ar/mundo/sin-acuerdo-por-la-exencion-de-las-patentes-para-las-vacunas/

11) https://eci.ec.europa.eu/015/public/#/screen/home/allcountries

domingo, 14 de febreiro de 2021

Notas sobre os pensionistas de Modepen e chamamento para o 1º de março.

 

(Ver en galego normalizado. Ver en castellano)


Julia Castillo, integrante do coletivo “Comando por lo Público”, protagoniza um vídeo exortando as gerações mais novas a assumir e defender o Estado do Bem-Estar, um Estado baseado nas pensões e nos serviços públicos.(1)

Mas não é que os pensionistas estamos pensando em ir-nos, na verdade Julia Castillo ainda está na brecha, lutando em mil batalhas, incluindo as de Modepen e as da RBUI, onde coincidimos. Não, os moços e as moças têm que assumir o controle, mas as pessoas maiores não vamos marchar sem lutar. Já quiseram alguns ...

Os anos 2018 e 2019 foram os das grandes mobilizações, tivemos que acabar com aquilo do 0,25%. E acabou-se. Foi o início do Modepen, o “Movimento Galego pela Defesa das Pensões e Serviços Públicos” (2), uma organização galega que nos coordenamos quando necessário com o movimento estatal de pensionistas. E continuamos, e não temos uma pequena tábua de reclamações. Normal logo de tantos anos de recortes e ataques ao que é de todos. Na tabela exigimos coisas de bom senso como a revogação do artigo 135 da constituição, ou a lei da mordaça ou a criação de um banco público galego. Como se pode ver, coisas óbvias. Mas pela importância do nosso movimento mencionarei aquelas que considero constituírem os três pilares básicos:

-A defesa dos pensionistas hoje: pensões dignas para todos (mínimo de € 1.084) reavaliação ao CPI real, acabar com o fosso de género ...

-A denúncia de planos de previdência privada de pensões, sejam individuais ou de empresa (recomendação 16 do Pacto de Toledo, da qual vamos ter de falar mais)

-A defesa e fortalecimento do Estado do Bem-Estar, nomeadamente saúde e educação públicas e o chamado quarto sector (fortes Serviços Sociais Públicos dirigido a maiores e dependentes, 100% Público, Universal e de Qualidade: Serviço de Ajuda Domiciliária, Centros de Dia, Residências , ...(3) e artigo en praza.gal (4)

Em 25 de janeiro, tínhamos planeado iniciar grandes mobilizações em defesa dessas reivindicações, que foram limitadas por causa da pandemia. De qualquer forma, o dia foi comemorado de diferentes formas e teve forte repercussão, provocando a resposta do ministro Escrivá tentando desviar a polémica para que, sobretudo, não se falasse da "recomendação 16" principal linha estratégica do Pacto de Toledo.

Esta estratégia foi respondida em um texto conjunto apoiado pela grande maioria das organizações de pensionistas do estado: MODEPEN, MADPP, COESPE-Oficial, Unidade-COESPE, os Coordenadores de Pensionistas Euskal Herria, Cantábria e muitas outras plataformas locais de pensionistas (5), ressaltando a exigência de retirada da referida "recomendação 16" por estar em consonância com o "desdobramento das pensões em um sistema misto público-privado, desviando contribuições da Seguridade Social, com o conseqüente empobrecimento das pensões públicas e destruição da solidariedade do sistema atual de pensões entre territórios, setores económicos, tamanho das empresas, género e gerações”. O texto acaba apelando para uma nova mobilização conjunta para o dia 1º de março, em que, uma semana antes do dia 8 de março, vai se destacar em especial a pouca diligência com que está sendo enfrentada a grave fenda de género.

Aos de Modepen não se nos escapa a importância da "recomendação 16". Para saber um pouco do que vai, recomendo este pequeno artigo de Xabier Pérez Davila em Infolibre (6) onde, entre outras coisas, explica brevemente suas características, e o que aconteceu no Chile como exemplo de por onde vêm os tiros , e avisa que "O Ministro afirmou que" vai legislar muito rapidamente "para passar de 1,6 para 9,5 milhões de trabalhadores associados, promovendo desde o Estado um macro-fundo" de pensões de promoção pública e gestão privada".

Neste sentido, Modepen enviou um comunicado aos sindicatos com presença na Galiza (CIG, CCOO, UGT, CUT, CGT, CNT, CESM, OMEGA, SATSE, PROSAGAP,…) (7) “para construir um movimento social forte para o aumento das miseráveis pensões mínimas atuais, para a aplicação de medidas concretas de redução do fenda de género, e de oposição ao recorte e privatização das pensões públicas que se pretende fazer através dos chamados Planos de Pensões Privadas de Empresas.

No documento pedem explicitamente que “caso o seu sindicato obtenha benefícios económicos com a gestão de planos de pensões privados de empresa já existentes, queremos-lhes transmitir nossa opinião de que seria bom desistir deles, e fazê-lo ajudaria muito a alcançar a unidade necessária contra a privatização dos serviços públicos, da qual as pensões públicas são um pilar fundamental. ”

No Modepen não esquecemos que as nossas reivindicações fazem parte do grande programa de defesa do público e de que realmente “ninguém fica para trás”, o que se torna cada vez mais necessário e urgente. Porque estamos diante de uma grande ofensiva da direita e do capital, uma ofensiva que se fortalecerá, já se está a fortalecer, e da que vai ser uma parte importante a "Reconstrução Pós-Covid" que nos chega, podemos ver uma análise em ElDiario.es aqui (8) e a minha opinião sobre para onde vão os tiros na Galiza na ligação (9).

Como dizem os companheiros da “Coespe International” no artigo “COESPE: Promover a resistência em toda a Europa contra os planos da Comissão Europeia e do BCE” (10). "Na Europa há uma guerra aberta assimétrica contra os pensionistas, mas também contra a classe trabalhadora, a juventude, os povos ..."

Porque a função do Plano de Recuperação Europeu que se está a desenhar não é melhorar os serviços públicos de saúde e aqueles outros que preservam e sustentam a população, mas “modernizar e financiar grandes empresas privadas; (e) querem que a classe trabalhadora e o público em geral paguem por isso durante vinte anos. O dinheiro vai acabar nas mãos de empresas como a Volkswagen, para fazer carros elétricos ou a Telefónica, para instalar o 5G ”.

Por riba de tudo, não será dinheiro grátis e de uma forma ou de outra "exigirá" compensações. Compensações que já estão sendo oferecidas, conforme relata “Coespe internacional”: “O Governo da Espanha, por meio de Nadia Calviño, ofereceu o sistema de pensões como garantia do empréstimo. Para isso, precisa ser privatizada e o ministro Escrivá está contribuindo para isso, contando com o Pacto de Toledo para desviar parte das contribuições da Seguridade Social para os bancos privados ”. A rota será a "recomendação 16". Podemos ver o que o governo oferece à Comissão Europeia neste link de ElDiario.es, especialmente a 8ª reforma (11)

Como afirma o referido artigo: “Diante da Europa das elites e da bolsa, é necessário articular em escala continental a resistência, os movimentos e as organizações sociais”.

É por isso que chamo de mobilização  conjunta para o dia 1º de março.

ligações

(1) Vídeo de Comando Público: Mensagem á mocidade:

https://www.youtube.com/watch?v=nORlVLXvrWg

(2) Página oficial de Modepen:

http://www.modepen.org/

(3) Táboa reivindicativa de Modepen:

http://www.modepen.org/wp-content/uploads/2020/08/AS-IDEAS-QUE-NOS-UNEN-Documento-Marco-aprobado-na-III-Asembrea.pdf

(4) Artigo Praza Os Servizos Sociais dirixidos aos maiores e dependentes: a posición do MODEPEN

https://praza.gal/opinion/os-servizos-sociais-dirixidos-aos-maiores-e-dependentes-a-posicion-do-modepen 

(5) Texto conjunto (MODEPEN, MADPP, COESPE-Oficial, Unidade-COESPE...) sobre as declaracións do ministro.

http://www.modepen.org/index.php/2021/02/09/resposta-do-movemento-estatal-de-pensionistas-ante-as-declaracions-do-ministro-de-seguridade-social-sr-escriva/

(6) Artigo de Xabier Pérez Davila (membro de Modepen)

https://www.infolibre.es/noticias/opinion/plaza_publica/2021/01/17/el_pacto_toledo_inicia_privatizacion_del_sistema_pensiones_115409_2003.html

(7) Modepen aos sindicatos galegos (30-01-2021)

Chamamento do MODEPEN aos Sindicatos en defensa das Pensións Públicas. – MODEPEN

(8) ElDiario.es: Los 140.000 millones de los fondos europeos, pendientes de la negociación...

https://www.eldiario.es/economia/140-000-millones-fondos-pendientes-negociacion-bruselas-reforma-laboral-pensiones_1_7213773.html

(9) Aviso a navegantes no blog de Abieito

https://abieito-blog-pt-agal.blogspot.com/2021/02/aviso-navegantes-vem-uma-nova-vaga-de.html

(10) Artigo de Coespe Internacional:

https://kaosenlared.net/coespe-impulsar-la-resistencia-en-toda-europa-frente-a-los-planes-de-la-comision-europea-y-del-bce/

(11) Proposta do geberno á Comisión Europea sobre pensións:

https://www.eldiario.es/economia/son-nueve-reformas-sistema-pensiones-gobierno-mandado-bruselas_1_6957522.html


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